Visite d’étude à Coimbra

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Terra natal de reis e sede da mais antiga universidade de Portugal, Coimbra está situada na margem direita do rio Mondego e é, pelo traçado das suas ruas e pelos seus inúmeros monumentos, uma das mais belas cidades do país.

coimbra

Programa 27 de fevereiro de 2018

  • 08h00 Saída da Escola Secundária Valongo
  • 09h30 Chegada a Coimbra – Centro histórico de Coimbra
  • 10 h00 Sé Velha
  • 10h45 Universidade de Coimbra
  • 11 h00 Paço da Escolas : Biblioteca Joanina – Capela de S. Miguel – Sala dos Capelos
  • 12h30 Almoço
  • 14h00 Igreja de Santa Cruz – Panteão Nacional
  • 15h30 Jardins da Quinta das Lágrimas
  • 16h30 Mosteiro de Santa Clara-a-Nova
  • 18h00 Partida para Valongo
  • 19h30 Chegada à Escola Secundária de Valongo

Pátio das Escolas (Universidade)

Em resposta a um pedido eclesiástico, D. Dinis fundou a universidade em 1290. Vacilando entre Lisboa e Coimbra, acabou por ser instalada no Palácio Real Medieval de Coimbra, em 1537. Durante os reinados de D. João V e D. José I, a instituição sofreu grandes reformas, não só a nível do ensino, mas também no que respeita à construção de novos edifícios de estilo barroco e neoclássico.

Algumas das figuras literárias do séc. XIX, incluindo Eça de Queirós e Antero de Quental, estudaram em Coimbra.

O acesso ao Pátio das Escolas faz-se pela Porta Férrea (séc. XVII) que é ladeada por figuras que representam as faculdades originais. À direita, no Pátio, a Via Latina, com colunas jónicas precedidas de uma escadaria (séc. XVIII), tem o escudo de Portugal encimado por uma estátua da Sabedoria e, por baixo, a Justiça e a Firmeza rodeiam D. José I, em cujo reinado o marquês de Pombal modernizou a universidade.

A torre da Universidade de Coimbra, cujo sino é conhecido entre os estudantes por « Cabra », foi construída entre 1728 e 1733. De estilo Barroco Mafrense, da Escola do arquiteto Ludovice, conta com 34 metros de altura.
A Capela de S. Miguel teve o início da sua construção em 1517, sob a direção do arquiteto Marcos Pires. A fachada da Capela mostra uma porta em estilo manuelino. O acesso lateral é feito por uma porta neoclássica. No interior podemos observar um imponente órgão barroco de 1733, decorado em talha e chinoiseries ao estilo D. João V. As paredes da nave são revestidas de azulejos de tipo tapete, do séc. XVII, e do séc. XVIII os da capela-mor. O retábulo principal (1605) é um trabalho maneirista.

É na Sala dos Capelos que atualmente têm lugar as mais importantes cerimónias académicas, designadamente os Doutoramentos solenes, « honoris causa », Investidura do Reitor e Abertura Solene das Aulas. Inicialmente foi a sala do trono do Palácio Real de Coimbra. Na 2.ª metade do séc. XVII foi remodelada, tendo ficado com o aspeto atual. No começo do séc. XVIII, as coberturas foram renovadas e as paredes superiores decoradas com telas que representam todos os reis de Portugal, enquanto o lambril foi coberto com azulejos do tipo tapete, fabricados em Lisboa. O teto, apainelado, com decoração de grinaldas e grotescos pintados, exibe a data de 1655.

A Biblioteca Joanina deve o seu nome a D. João V, seu benfeitor, cujo escudo se encontra representado no portal barroco. Construída, no início do século VVIII, com madeiras exóticas e ouro do Brasil, é uma das mais famosas de Portugal.

No piso superior, a biblioteca é composta por três salas comunicantes por arcos decorados em madeira policromada, idênticos à estrutura do portal. As paredes estão cobertas por estantes lacadas de vermelho e verde escuro com decorações em chinoiserie dourada. Ao gosto barroco, as salas estão cheias de decorações de ilusão ótica. Os cerca de 250 mil volumes que encerra esta « casa

Sé Velha

O templo atual data da segunda metade do séc. XII, tendo sido aberto ao culto em 1184 e segue o estilo românico coimbrão da segunda fase.
Com projeto do francês Mestre Roberto, a igreja tem um exterior robusto, simétrico, com escassas aberturas e coroamento de ameias. O portal central tem decoração de clara influência islâmica, enquanto que a porta lateral, dita « Porta Especiosa », atribuída a João de Ruão, revela elegante decoração renascentista. No interior, ao longo das naves laterais distribui-se a galeria do trifório. Destaque especial para o retábulo da capela-mor, em gótico flamejante, datado de cerca de 1498 e executado por escultores flamengos. O retábulo da Capela do Santíssimo Sacramento, completado com uma elegante cúpula de cartelas, em estilo maneirista, data de 1566 e foi executado por João de Ruão. O claustro, gótico, iniciou-se em 1218, nele se destacando os capitéis naturalistas.

Coimbra e algumas das suas figuras célebres

Em 1861, Eça de Queirós matriculou-se em Coimbra, no curso de Direito, que concluiu em 1866. Foi aí que conheceu Antero de Quental e Teófilo Braga mas não se envolveu na polémica conhecida por Questão Coimbrã (1865-66), que opôs os jovens estudantes a alguns dos mais conhecidos representantes da segunda geração romântica.

Segundo o seu próprio testemunho, nesta fase leu os autores franceses que, na época, entusiasmavam a juventude letrada em Portugal. Em Coimbra, cruzavam-se a tendência romântica e as novas ideias de raiz positivista e ambas contribuíram para a formação intelectual de Eça e dos seus companheiros.

Em torno dela, negra e dura como uma muralha, pesando, dando sobre as almas, estava a Universidade […]; a sua negra torre, donde partiam, ressuscitando o precetto da Roma jesuítica do século XVIII, as badaladas da «cabra»

in Antero de Quental. In Memoriam, 1896

 

…Reclinada molemente na sua verdejante colina, como obelisca em seus aposentos, está a sábia Coimbra, a lusa Atenas. Beija-lhe os pés, segredando-lhe de amor, o saudoso Mondego. E em seus bosques, no bem conhecido salgueiral, o rouxinol e outras aves canoras soltam seus melancólicos trilos. Quando vos aproximais pela estrada de Lisboa, onde outrora uma bem organizada mala-posta fazia o serviço que o progresso hoje encarregou à fumegante locomotiva, vede-la branquejando, coroada do edifício imponente da Universidade, asilo da sabedoria.

in O Primo Basílio, Eça de Queirós

Em Coimbra, uma noite, noite macia de Abril ou Maio,. atravessando lentamente com as minhas sebentas na algibeira o Largo da Feira, avistei sobre as escadarias da Sé Nova, romanticamente batidas pela lua, que nesses tempos ainda era romântica, um homem, de pé, que improvisava.

A sua face, a grenha densa e loura com lampejos fulvos, a barba de um ruivo mais escuro, frisada e aguda à maneira siríaca, reluziam, aureoladas. O braço inspirado mergulhava nas alturas como para as revolver. A capa, apenas presa por uma ponta, rojava por trás, largamente, negra nas lajes brancas, em pregas de imagem. E, sentados nos degraus da igreja, outros homens, embuçados, sombras imóveis sobre as cantarias claras, escutavam, em silêncio e enlevo, como discípulos.

Parei, seduzido, com a impressão que não era aquele um repentista picaresco ou amavioso, como os vates do antiquíssimo século XVIII – mas um bardo, um bardo dos tempos novos, despertando almas, anunciando verdades. O homem com efeito cantava o Céu, o Infinito, os mundos que rolam carregados de humanidades, a luz suprema habitada pela ideia pura, e

…os transcendentes recantos
Aonde o bom Deus se mete,
Sem fazer caso dos Santos
A conversar com Garrett !

Deslumbrado, toquei o cotovelo de um camarada, que murmurou, por entre os lábios abertos de gosto e pasmo:

– É o Antero!… »

Apenas um sermão o Padre António Vieira pregou em Coimbra, na Real Capela de São Miguel, na Universidade, em 1663. Este vulto da Literatura Portuguesa nasceu em Lisboa (1608), mas viveu principalmente no Brasil. No entanto, foi desterrado para Coimbra a pedido da Inquisição, em 1663: o Tribunal do Santo Ofício vingava-se das suas corajosas e independentes posições, acusando-o de heresia. Em 1667 foi condenado a internamento e proibido a pregar. Mas seis meses depois, a pena foi anulada. Em 1681, retirou-se definitivamente para o Brasil, onde morreu, em 1697, com 89 anos.

Igreja de Santa Cruz / Panteão Nacional

A Igreja de Santa Cruz, ou Panteão Nacional, foi fundada em 1131 sendo D. Afonso Henriques o principal benemérito. A sua escola foi crucial nos tempos medievais e por ela passaram as elites do poder e da intelectualidade. Na Igreja residem os túmulos de D. Afonso Henriques e D. Sancho I, os primeiros reis de Portugal.

Das obras promovidas pelo Rei D. Manuel I, destacam-se as abóbadas atribuídas a mestre Boitaca, ou o notável cadeiral manuelino, de 1513, e cujo coroamento tem temática alusiva aos descobrimentos Portugueses. Merecem igual destaque as encomendas régias a Nicolau Chanterenne, para a execução dos jacentes dos túmulos reais, em estilo renascentista.

Afonso Henriques e Sancho I, primeiros reis de Portugal, repousam em elegantes arcas tumulares, na capela-mor da igreja, hoje Panteão Nacional.

A fachada do mosteiro exibe elementos estruturais românicos conjugados com a decoração do portal, do século XVI. O Arco Triunfal que precede a frontaria é do século XIX. Nas traseiras do conjunto monástico, situa-se o Claustro da Manga, bela construção renascentista de uma pureza de estilo raramente ultrapassada.

A obra, antigamente conhecida por Fonte da Manga, situava-se no centro de um dos três claustros do Mosteiro de Santa Cruz.

O Claustro do Silêncio é manuelino do século XVI, e inclui quatro baixos-relevos, com cenas da Paixão, da autoria de Nicolau Chanterenne.

Quinta das Lágrimas 
A Quinta das Lágrimas é o local que testemunhou o amor entre D. Pedro e Inês. Este jardim conta, nos seus recantos, a fatídica história de amor entre D. Pedro e Inês de Castro – história esta que inspirou diversas artes como a literatura, música e poesia. Na Quinta das Lágrimas existem ruínas neolíticas, o palácio do século XIX e a afamada Fonte das Lágrimas, na qual Inês de Castro foi executada. Tem também um hotel e um restaurante.

Inês

Alheios às pérfidas e obscuras intrigas com que os validos do rei lhe envenenavam o querer e aos gestos contra a Castro, os príncipes viviam sem cuidados no paço erguido anos antes pela falecida avó de Pedro, Isabel de Aragão. Depois dos anos vividos no Norte, o casal voltara a Coimbra, onde se entregava a êxtases apaixonados e ao convívio com os filhos, animando ainda muitas das suas noites com festas e banquetes. Mal sabiam ambos que, alimentados pela inveja e pela ganância, os homens que rodeavam Afonso IV o lembravam a cada dia da conveniência de eliminar a galega da vida do filho e do reino. (…)

Naquela ladeira do vale banhada pelo Mondego, Pedro alheara-se novamente da política, da corte real e das suas funções de herdeiro; (…) Por ora, desfrutaria com a princesa aquele chão que da sua amada avó herdara, e onde em criança correra livre e radiante, sempre que a ausência do rígido pai lho consentia. As melífluas memórias da sua infância ali passada, sob as asas de Isabel de Aragão, encontravam eco nas que a mulher guardava dos anos ali vividos a escassos metros, no mosteiro que a mesma rainha alevantara. E assim unidos no amor àquele canto do mundo, que o Senhor abençoara, Pedro e Inês seguiam alheios à maldade que no seio do rei crescia.

Era raro o dia em que não saíam pela mata circundante, percorrendo os cerca de quinhentos metros que separavam o palácio das fontes, as quais a ida soberana comprara aos frades do convento cercano. Carreira afora, através dos hortos do convento e da largueza do bosque, lá iam os dois até às nascentes, sempre que o frio serenava e a chuva não enlameava os atalhos. Inês tinha particular apego à mina cujas águas corriam sobre uma pedra a que certa alga dera o tom de um vermelho quase sangue. Igual amor tinha à clareira que ali se abria, emoldurada de loureiros, na sombra dos quais gostava de sentar-se a admirar aquelas vistas do Éden, de que nunca se cansava.

in FIALHO GOUVEIA, Maria João, Inês

Mosteiro de Santa Clara-a-Nova

O conjunto monástico, iniciado em 1649, veio substituir o primitivo cenóbio das monjas clarissas, que o leito do rio Mondego havia arruinado.
O edifício é em estilo barroco, sóbrio e utilitário, ponteado por torreões. Na igreja, guarda-se, no retábulo da capela-mor, a urna de prata e cristal, do séc. XVII, onde é venerado o corpo da Rainha Santa Isabel. O túmulo primitivo da padroeira da cidade, em pedra, executado por Mestre Pêro em 1330, encontra-se no coro baixo da igreja. O claustro de 1733 tem risco de Carlos Mardel.

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